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TECNOLOGIA >> TEMPOS MODERNOS

Tempos modernos: A importância das redes sociais no jornalismo

Sucesso das mídias digitais faz com que veículos de comunicação tenham maior aproximação com o público.


 

         1. Você acredita que atualmente ainda haja espaço para a mídia tradicional? Por quê? Acredito que há espaço para as mídias tradicionais. É importante que exista a mídia tradicional que faz um jornalismo sério, mas é preciso que a mídia tradicional se atualize aos tempos modernos. Ou seja, cada vez menos estão consumindo o jornal de papel, então elas tem que investir cada vez mais nos sites. Mas ainda existe uma grande resistência dos donos de jornais ou até mesmo da direção dos jornais de migrar para isso. Tanto que nos principais jornais os suportes menos experientes estão nos onlines e os mais experientes continua no papel e ainda assim não tem uma integração com era esperado que tivesse, ainda tem essa resistência de investir no online. Mas é importante por questão da mídia séria, jornalismo exemplo, que mantem essa qualidade, mas também que migre para o jornal do site.

          2. Com a evolução da tecnologia, o que mudou no meio jornalístico? Mudou muita coisa, porque antigamente a gente ia muito mais pra rua pra fazer matéria e hoje em dia a maioria dos repórteres acaba fazendo muito dentro das redações e também tem aquela questão das redações estarem cada vez mais enxutas, com menos gente para trabalhar. Então assim, as pessoas não estão indo tanto a campo e, é a campo que você traz o diferencial, o olho no olho, você ir lá à favela conversar com o morador e vê a dificuldade dele, descobrir novas pautas. Então teve uma grande mudança, com a questão da tecnologia, do imediatismo, então se perde um pouco em qualidade de conteúdo. E também claro a agilidade da informação que é super importante, antes você ia para uma pauta, você só tinha que escrever para o fechamento ás oito, oito meia da noite, agora não, você tem que da própria rua, ou você manda por celular um texto resumido ou passa para o pessoal da redação escrever. É porque geralmente o repórter acaba não levando o laptop, prefere também ir até pela dinâmica, acaba passando por telefone para a equipe que está no site, na redação, acaba consolidando a matéria e publicando. Então tem essa agilidade agora, que é muito importante claro, mas também às vezes acaba pecando em qualidade.

“Todo mundo é uma mídia hoje em dia, temos que tratar isso como uma realidade”

           3. Pelo fácil acesso às informações e compartilhamento de notícias, você acredita que as redes sociais irão substituir os portais de notícias? Qual serão as consequências que o jornalismo terá que lidar? Acho que eliminar os portais não, o que a gente vê é uma tendência de menos acesso aos portais, mas ainda precisam existir os portais para consolidar todas as noticias. Então assim, as pessoas acabam entrando pelos sites dos portais via Facebook, via Instagram, via as redes sociais. Mas ainda assim precisa ter a consolidação de tudo, um lugar. Tanto importante quem trabalha com mídia independente como é eu caso, ter ali um portal, um site pra onde a pessoa vai ser direcionada. Isso não pode nunca mudar, você tem que ter ali todo o conteúdo numa plataforma. O que irá mudar é por onde as pessoas veem, então não necessariamente a home vai ser o principal de um portal, mas ela tem que existir sim em mídias sociais porque é ali que ela vai pegar o seu leitor.

            4. Quais os benefícios e os malefícios das redes sociais no jornalismo? Benefícios eu acho que tem vários nessa questão de todo mundo, mesmo que não tenha o costume de entrar em um portal estarem acessando notícia de qualidade, notícias reais. E o lado ruim que eu acho, que é muito importante, é os falsos portais de noticias que isso acaba brigando muito com o jornalismo e as pessoas ligam e tem muita dificuldade em reconhecer o que é notícia verdadeira e o que não é. Então tem muita replicação de conteúdo, matérias falsas, e as pessoas tomam isso como verdade. Porque tem até sites falsos que tem o nome parecido com de um portal da Folha, do Estadão e as pessoas acham que é e vai compartilhando muitas vezes sem ler e não vêm que aquela informação não é de qualidade, não é verdadeira e tomam como verdade. Quando você vai ver já ganhou uma proporção gigante, falando sobre política, sobre os assuntos mais polêmicos da atualidade, isso é muito sério. Então é muito importante as pessoas tenham discernimento e os próprios portais invistam, tem alguns sites que agora já estão fazendo checagem de noticias, isso é muito legal porque ai as pessoas vão ter  ali uma fonte segura para ver se é verdade e se não é, que é bem importante.

“A redes sociais são uma fonte rica de pauta, de saber o que está acontecendo na realidade das pessoas já que você não está em todos os lugares ao mesmo tempo"

        5. Na era tecnológica onde todos têm acesso às informações e qualquer pessoa pode publicar uma notícia, como o jornalista consegue acesso em sua página não perdendo sua credibilidade? Então, esse é um assunto bem difícil da gente tratar, porque hoje em dia todo mundo produz conteúdo. Antigamente era assim, eu tinha um fotografo que ia pra rua e o repórter para relatar alguma manifestação. Hoje em dia não, as pessoas fazem live do seu celular, então todo mundo é uma mídia hoje em dia, a gente tem que tratar isso como uma realidade. Agora o que vai se sobressair é uma mídia de qualidade em relação a outras de não qualidade. No meu trabalho, por exemplo, tem vários concorrentes que são as blogueiras de maternidade, só que elas não fazem jornalismo de verdade. Então assim, você acaba se destacando porque você traz uma informação isenta. Então acho que isso é em todas as áreas, o jornalista que resolve fazer o seu trabalho como empreendedor, ele tem que se destacar pela qualidade do serviço. Leva tempo? Leva, mas é através de mostrar o diferencial dele mesmo. Não é achismo, e sim jornalismo de verdade.

         6. Como destacar sua matéria para conseguir mais visualizações nas redes sociais? Eu tenho estudado bastantes mídias sociais, eu estou fazendo até um curso agora. E assim, a gente fica muita com essa coisa de mídia paga, a ideia é você ter mídia orgânica. Você vai conseguir mídia orgânica, com varias coisas. Você tem que entender quem é o seu público, você tem que entender o que o seu publico está precisando. No caso você montar um site de culinária, você tem que entender quem é a pessoa que vai estar ali. Então assim, quanto mais orgânica que você tiver, melhor pra você. Não tem que ficar pagando, você vai pagar e as pessoas não vão interagir, não vão compartilhar. Então quanto mais qualidade você tiver de conteúdo e não só estar vendendo, uma empresa, por exemplo, que quer vender assinaturas ou que quer vender roupas, não tem que ficar só fazendo promoção de sua marca, e sim trazer de conteúdo, algum diferencial. Então as pessoas tem que buscar isso, se você tem uma loja de roupa infantil, você não vai colocar só lá o vestidinho por tantos reais, eu tenho que buscar o diferencial, trazer o ali o conteúdo que aquela mãe, aquele pai que vai comprar roupa, tenha o interesse de consumir. Oferecer conteúdo para essa pessoa, as pessoas estão devassando por isso.  Então você tem que inventar novas mídias, fazer vídeos, fazer histories em Instagram. Buscando alternativas para atrair esse público de forma orgânica que ai você vai ter um alcanço cada vez maior.

“Há alguns sites que agora já estão fazendo checagem de noticias, as pessoas vão ter uma fonte segura do que é verdade ou do que não é”


 

         7. O que as redes sociais podem fazer pelos jornalistas? Eu acho que pode fazer muita coisa, primeiro pelas redes sociais eu consigo muitas pautas, acho que ali você vai vendo comentários de seus amigos ou em grupos de outras pessoas e vai surgindo muita ideia de pauta. Eu acho que é uma fonte rica de pauta, de saber o que está acontecendo na realidade das pessoas já que você não está em todos os lugares ao mesmo tempo. Então isso ajuda demais e te faz tornar conhecida, se tornar uma referencia em determinado assunto, se você quiser seguir esse caminho, claro. Tem jornalista que prefere estar ali só com seu nome no jornal e tudo bem. Mas eu aconselho o jornalista a ter a sua pagina profissional para desvincular também do seu pessoal para não misturar as coisas. Então, tem que tomar muito cuidado porque o jornalista tem que se mostrar mais isento tentar manter um equilíbrio mesmo na sua pagina pessoal. Mas em que eu digo de ter a pagina profissional é para mostrar o seu trabalho, focar mais nessa questão de se destacar, dar detalhes de matérias em que fez, mostrar um pouco do bastidor do jornalismo, que as pessoas tem curiosidade em saber como é uma redação, ás vezes postar uma foto com você a campo. Enfim mostrar um pouco dessa realidade e claro fazer contato por ali também.

          

         8. Como a ética no jornalismo influência nas informações publicadas nas redes sociais?  A mesma conduta que você teria no veículo tradicional, você tem que ter nas redes sociais. É que eu falei, você é jornalista o ideal é você não ficar levantando grandes bandeiras. E a questão de ética, lógico você manter a mesma coisa de outro veiculo, você não vai revelar a sua fonte, você pode manter essas coisas que você adota em qualquer veículo de grande porte também. Mas assim, cuidado sempre não ficar se expondo demais, é isso que eu recomendo, porque não dá para um jornalista ter credibilidade se ele não passa credibilidade na pagina dele, na conduta dele, na vida dele mesmo pessoal nas redes sociais. Como eu falei a gente tem muitos amigos e a gente não sabe quem está vendo ali o amigo do amigo, e qualquer print screen que façam pode complicar a vida de você para conseguir um emprego ou um cargo, enfim. Tem esse tipo de coisa, tomar bastante cuidado.

Ouça a seguir o áudio na integra da entrevista:

Áudio Entrevista - Giovanna Balogh
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Nos últimos anos, as redes sociais tomaram conta da rotina de praticamente toda a sociedade, e com o jornalismo não é diferente. Os veículos “profissionais” de comunicação se adaptaram a um novo modo de levar a notícia de forma mais rápida e interativa, possibilitando a contribuição de centenas de milhares de pessoas. Segundo agência de noticia internacional, Instituto Reuters, os sites brasileiros G1 e UOL receberam cerca de 30 milhões de visitantes em 2015, 30% a mais do que 2014. Os estudos apontam que 72% dos brasileiros já acessam o noticiário jornalístico através de mídias sociais, porém com esse crescimento há muitos compartilhamentos que podem não ser de veracidade total, no qual denominamos de “Fake News”.

A jornalista e blogueira, Giovanna Balogh, aponta como a rotina jornalística mudou e quais cuidados que se deve ter com trabalho jornalístico online:

07-11-2017 -  CONEXÃO POPULAR

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