
BALADA >> DOS ANOS 60 AOS 90
Dos anos 60 aos 90: como eram as baladas e comportamentos nas décadas passadas
As mudanças de comportamentos nas baladas foram mudando conforme o tempo.

Anos 60
As baladas nos anos 60 eram comportadas para curtir, conhecer gente e ouvir música em que o ambiente era bem diferente. O rock, que havia estourado nos anos 50, era o principal gênero de música jovem. No Brasil, os bailes tomavam conta e a maior influência no som e no comportamento era a Jovem Guarda que lançaram artistas como Roberto Carlos e Ronnie Von. Mesmo diante da Ditadura Militar, eles ensinavam como valia a pena se divertir.
Comportamentos anos 60:
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A chamada ‘molecada’ não tinha autorização para entrar nas boates e baladas, e só maiores de 18 podiam entrar.
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Assim como hoje em dia, drogas eram ilegais. Poucos baladeiros se arriscavam. Um ou outro mais “descolado” fumava maconha, mas sempre do lado de fora.
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Usar roupa dos Beatles era moda no mundo todo, os meninos absorveram tudo da banda mais famosa do mundo: cabelo, roupas, acessórios e até o comportamento da chamada Beatlemania, para conquistar as garotas.
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Para as garotas, moda era a maquiagem bem marcada nos olhos, e as pernas de fora se tornava tendência (minissaias ou tubinhos curtos) ganhavam as ruas.
Anos 70
As casas noturnas começavam a apresentar algumas características diferentes, como o forte show de luzes dando destaque à pista e a presença do DJ comandando o som. A busca pelo prazer era a arma dos jovens contra a caretice e a repressão do regime militar. Sexo, drogas e disco e soul music embalavam as noites. Nas baladas jovens de todas as classes sociais, negros e brancos, gays e héteros se reuniam para dançar como se não houvesse amanhã.
Comportamentos anos 70:
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Luz, som, cores, drogas: tudo motivava o público a se jogar na pista.
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A galera usava muita cor, brilho e materiais sintéticos. Elas se inspiravam na novela Dancing Days, enquanto os garotos copiavam os Embalos de Sábado à Noite.
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Ainda rolavam drogas psicodélicas, como maconha e LSD. Mas a noite tinha uma nova musa: a cocaína que mantinha a galera fervendo na pista, era a droga que virou simplesmente mais um bem de consumo associado a glamour e status.
Anos 80
As danceterias brasileiras dessa década eram locais de efervescência cultural. Bandas como Legião Urbana, RPM – o rock nacional estourou e trouxe a música ao vivo de volta às baladas. A agitação espelhava a redemocratização do país. O jovem podia voltar a expor opiniões sem medo de represálias. Por outro lado, o perigo da AIDS se tornava cada vez mais próximo, mudando radicalmente os hábitos sexuais.
Comportamentos anos 80:
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A noite misturava tudo de mais criativo: DJ, música ao vivo e até videoclipe.
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Os anos 80 viram nascer, nos EUA, o canal MTV que revolucionou o consumo de música. As baladas apresentavam clássicos, como Thriller, de Michael Jackson, Like a Virgin, de Madonna, e Kiss, de Prince. A galera até copiava as coreografias.
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Não havia internet e as rádios brasileiras nem sempre eram rápidas em reproduzir o que bombava lá fora. Muita gente abordava os DJ´S na cabine para saber o nome das músicas.
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Era época de shows ao vivo. Foram em palcos de baladas que surgiram bandas como Legião Urbana, Ira e Paralamas do Sucesso.
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Na pista, os cabelos moicano cheios de gel era uma febre. Os góticos investiam no preto e a galera new wave vestia cores cítricas vibrantes.
Anos 90
Baladas com muita música eletrônica. As festas duravam até 14 horas, geralmente ao ar livre, com dança enlouquecida e o uso de drogas sintéticas, a ascensão da cultura eletrônica e a transformação dos DJs em verdadeiros superstars.
Comportamentos anos 90:
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As raves estouraram no Brasil com a musica eletrônica. Os eletrônicos techno e trance (“transe”, em inglês) deixavam o público numa vibe hipnótica.
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Ainda rolavam maconha e LSD. Mas a droga do momento era o ecstasy, também chamado de “bala”.Ela causava euforia e bem-estar.
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Os jovens que usava essa droga e bebia muita água, porque aumentava a temperatura do corpo e não misturá-lo com álcool, pois alteraria seus efeitos.
O que acontece nas “baladas” e o comportamento nas festas que agitam os jovens nos dias atuais:
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Músicas que só exaltam a sexualidade. Movimentos que simulam o ato sexual de uma maneira vulgar. Violência, bebidas e drogas. Roupas mínimas, corpos à mostra e até peças íntimas para quem quiser olhar. Nos bailes funks, pode de tudo. Até passar a mão em quem não se conhece. As "proibidonas" festas que nasceram nas periferias das grandes cidades, mas que hoje agitam a juventude classe média e geram fortunas para artistas e organizadores.
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Se em local fechado já é difícil controlar, imagine nas festas a céu aberto e com entrada franca. Você vai ver como bairros residenciais se transformam numa terra de ninguém durante essas baladas. Bêbados espalhados pelas ruas, sujeira, brigas e muita confusão. Um encontro que deveria ser marcado pela celebração, mas que acaba chamando mais a atenção pelo número de atendimentos feitos pelas equipes de resgate.
E ainda: o motorista que foi espancado até a morte numa balada, o funkeiro que vive com três mulheres (já foram outras quatro) e arrasta multidões por onde passa o vendedor que vai á balada de ônibus e ainda conta que é jogador de futebol para conquistar as meninas, e muitas outras histórias que revelam bem o que acontece na noite. Onde tem balada, tem paquera, e alguns jovens fazem até competição de quem beija mais. Jovens mantêm comportamento de risco nas baladas regadas a álcool e misturas perigosas nas noites paulistanas. Nós observamos um grupo que compartilha o narguilé, e na maioria os jovens fumam uma essência através de um cachimbo que passa de boca em boca, contraindo varias bactérias, onde pode sim comprometer sua saúde.
A balada dá a esperteza que o jovem precisa para mergulhar neste mundo às avessas. O jovem ainda não consegue controlar seus freios internos e regularmente bebe até cair, causando uma série de problemas que incluem: intoxicação alcoólica, fraturas, violência, brigas, acidentes de trânsito, comportamento sexual de risco, gravidez indesejada, problemas psicossociais na família e dificuldades escolares. Todos estes comportamentos podem interferir negativamente no desenvolvimento já tão conturbado do adolescente. Além disso, o adolescente tem uma grande tendência grupal e busca sua identidade através dos amigos que vestem a mesma roupa, falam a mesma língua e usam as mesmas drogas.
Temos observado que mundo de hoje está repleto de jovens superprotegidos que não aguentam a pressão dos pais e futuramente, não suportam a vida. Muitos destes irão buscar nas drogas um suporte que os tirem da sensação de enfrentamento e responsabilidade.
09-11-2017 - PAULO HENRIQUE


